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Por João Mascarenhas

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No ar no SBT, baiana já foi recusada por tom de pele, mas quer mudar cena com produtora

16 jun 2018

| 07:08h | Notícias
No ar no SBT, baiana já foi recusada por tom de pele, mas quer mudar cena com produtora

No ar no SBT, baiana já foi recusada por tom de pele, mas quer mudar cena com produtora
                                                                                  Foto: Divulgação

No ar no SBT na pele de Gleyce Soares, na novela infantil “As Aventuras de Poliana”, a atriz baiana Maria Gal vem traçando uma luta diária contra o racismo, principalmente no audiovisual. Na trama, por exemplo, sua personagem é uma mulher batalhadora, chefe de família e que busca melhorias na qualidade de vida da família. “Ela é extremamente consciente da questão racial no Brasil. Então, empodera a filha nesse sentido de explicar o quanto o racismo existente no país é forte. É uma mulher honesta, que não tem papas na língua, que fala o que pensa. Muito verdadeira e autêntica”, inicia ao Bahia Notícias. Cria do Bando de Teatro Olodum, ela entende que muito da sua formação enquanto mulher negra vem justamente da convivência com seus pares. “Isso que estamos falando aqui, o Bando já trata desde sempre. Então, para mim, ter sido do grupo tem uma importância imensa no sentido cultural, da consciência racial, de empoderamento, inclusive como empreendedora, pois somos incentivados a sermos autorais e autônomos”.

Maria Gal e os atores de "As Aventuras de Poliana" | Foto: Reprodução / SBT

 

Diante das lições aprendidas e após participar de diversos projetos, incluindo novelas da Globo e série da Netflix, em 2017 a atriz fundou a Maria Produtora, empresa voltada à produção de conteúdo para TV e cinema cujo intuito é gerar mais espaço para artistas e projetos que valorizem o negro e o feminino no Brasil. “Há dois anos fui negada para um trabalho, pois o diretor achou que o tom da minha pele não seria tão comercial e preferiu a atriz branca. Claro que não foi ele quem me disse isso, fiquei sabendo por amigos da produção. Isso só para dar um exemplo. Basta ligar a TV, ver um filme nacional para percebermos o racismo expresso, com personagens estereotipados, sem grandes oportunidades ou na própria inexistência. Tudo que eu já vivi me fez ter mais vontade de tocar os projetos”, confessa.  Para Maria Gal, a falta de representação é resultado de um racismo estrutural. “Somos mais de 54%, segundo o IBGE de 2016, e a gente não se vê. Quantas famílias negras temos na teledramaturgia brasileira? Quantas atrizes brasileiras com traços negroides, africanos, você já viu protagonizando filmes no Brasil? Sofremos uma carência muito grande e não é por falta de gente competente”, lembra. Ao tecer suas críticas à forma como o país está edificado, traz o exemplo do ator Leno Sacramento, também do Bando, que foi baleado esta semana na perna durante uma ação policial, no Centro de Salvador, enquanto andava de bicicleta .“Faz parte desse racismo estrutural que vivenciamos no Brasil há tanto tempo e que só agora estamos começando a falar. É um racismo que está em todas as camadas da sociedade, todas as profissões. Esse genocídio do povo negro precisa acabar. Importante alertar a sociedade brasileira que a culpa não é dos negros, é da sociedade e que por conta disso todos somos atingidos. Tem que haver uma mobilização da sociedade, empresas, governo, das políticas públicas para que possamos diminuir essa desigualdade tão grande”, defende. Para os próximos passos, a artista prepara o longa “Carolina”, cinebiografia de Carolina Maria de Jesus, uma escritora negra e autora de “Quarto de Despejo”. O projeto está em fase de produção e ainda possui cotas para patrocínio. 

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